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  • Foto do escritorPsicólogo Flávio Torrecillas

A máscara que os narcisistas colocam para se desculpar é falsa.

Na complexa teia das relações interpessoais, encontra-se uma verdade inquietante que se revela em momentos de tensão e desacordo. Particularmente no coração dessas dinâmicas está o narcisista, cuja necessidade de admiração e validação frequentemente transcende os limites do respeito mútuo e da empatia. Este relato se aprofunda no momento crítico em que a máscara do narcisista é arrancada, não por força alheia, mas pelo inevitável confronto com uma realidade que se recusa a dobrar-se às suas exigências.

Quando a discordância surge e o narcisista se depara com um "não" resoluto, um abismo se abre. Este não é um mero desacordo, mas uma afronta ao seu senso inflado de importância. A resposta a essa negação é a revelação de um monstro que residia em segredo, alimentando-se da incessante busca por adulação. Esse monstro, escondido sob camadas de charme superficial e falsa benevolência, é a essência pura do narcisismo, agora exposta em toda a sua fúria e desdém.

A reação é imediata e intensa. A face outrora amigável se contorce em expressões de raiva e desprezo, as palavras, uma vez melífluas, agora são armas afiadas lançadas para ferir e desvalorizar. O narcisista, acostumado a ser adorado e jamais contrariado, encontra-se perdido em um mar de emoções turbulentas, incapaz de compreender como seu brilho, em sua mente, incontestável, poderia ser ofuscado por um simples ato de dissidência.

Nos momentos que se seguem a essa tempestade emocional, o narcisista tenta reconstruir a fachada que foi tão rudemente desmantelada. Oferece desculpas, promete mudanças, tenta seduzir e encantar novamente, como se pudesse apagar a memória de sua verdadeira face revelada. No entanto, essas tentativas são transparentes para quem já viu o monstro por trás da máscara. São gestos vazios, estratégias calculadas para recuperar o controle e assegurar que a adulação, tão vital para sua existência, não cesse.

Mas a verdade é que, uma vez revelado, o monstro não pode ser totalmente escondido novamente. As cicatrizes deixadas por sua aparição permanecem, um lembrete constante do perigo de adentrar muito profundamente no domínio do narcisista. Essa revelação é um divisor de águas, um momento de clareza que desvenda não apenas a natureza volátil e egoísta do narcisista, mas também a força e a resiliência daqueles que ousam dizer "não".

Assim, o ciclo de encantamento e desilusão se revela não como uma série de incidentes isolados, mas como a manifestação de uma personalidade profundamente arraigada na busca incansável por admiração. A máscara, por mais habilmente reajustada, carrega agora as fissuras de sua queda. O monstro, por sua vez, embora possa se retrair para as sombras, permanece à espreita, uma presença constante que desafia a autenticidade das interações futuras.

Nesse contexto, a verdadeira batalha não é apenas contra o narcisista, mas contra a sedução de suas promessas vazias e a tentação de ignorar as lições reveladas no calor do confronto. É um lembrete de que, por trás das máscaras sociais, residem complexidades e profundidades que, quando ignoradas, têm o poder de desvendar não apenas a verdade sobre os outros, mas também sobre nós mesmos.

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