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  • Foto do escritorPsicólogo Flávio Torrecillas

O abuso Narcisista altera o seu cérebro

Os efeitos do abuso psicológico e narcisista trazem imensas consequências devastadoras, mas há DUAS que quase ninguém sabe sobre - a não ser que seja médico/a ou neurocientista.

Na verdade, estes dois efeitos poderão ser o resultado mais destrutivo do trauma emocional a longo termo e é mais uma razão para - se tens filhos/as com um/a narcisista - tentares afastar-te o mais razoavelmente possível.



Até agora, muitos repetem que trauma emocional leva a Transtorno de Stress Pós Traumático e Transtorno de Stress Pós Traumático Complexo, o que será razão suficiente para o afastamento de um/a abusador/a. Mas, o que muita gente não percebe é que, com o tempo, estas mazelas emocionais repetidas, vão encolhendo o hipocampo, que é responsável pela memória e aprendizagem, enquanto vai alargando a amígdala, que por sua vez aloja emoções primitivas como o medo, o luto, a inveja e a vergonha.


  • Hipocampo (o básico):

O hipocampo, (hippocampus, uma palavra Grega que significa cavalo marinho) é uma estrutura emparelhada em cada lóbulo temporal e em forma de, na verdade, um par de cavalos marinhos. Ajudam a guardar e a recordar memórias.

O hipocampo é especialmente vital na memória a curto prazo, retendo na mente a informação por uns momentos, depois, ou é transferida para a memória permanente ou imediatamente esquecida. A aprendizagem depende da memória a curto prazo.

(...)


  • Lesão cerebral por stress crónico:

Segundo um estudo feito por investigadores da Universidade de New Orleans e da Universidade de Stanford, Pacientes com maior parâmetro de cortisol (a hormona do stress) e com grande nível de sintomas de TSPT tiveram as maiores reduções de volume no hipocampo com o tempo. (...)

Por outras palavras, quanto mais tempo estamos com um/a abusador/a emocional, maior deterioração podemos esperar do nosso hipocampo. É facilmente compreendido como este processo neurológico pode aumentar sentimentos de confusão, dissonância cognitiva, e amnésia de episódios de abuso, por parte das vítimas de abuso narcisista e psicopata.


  • Amígdalas (o básico):

Narcisistas mantêm as suas vítimas em constante estado de ansiedade e medo, o que por sua vez, obriga as vítimas a reagir com a sua amígdala (chamado o "réptil do cérebro" ou "cérebro primitivo"). A amígdala controla funções diárias como a respiração e a batida do coração, e as emoções de amor, ódio, receio e desejo (todas elas consideradas "emoções primitivas").

Também é responsável pela reação "luta ou foge". Vítimas de abuso narcisista vivem neste estado quase diariamente. Com o tempo, amigdalites "lembram-te" das coisas que sentimos, vimos, e ouvimos de cada vez que tivemos uma experiência dolorosa. Dicas subliminares de eventos estressantes (até fotos) irão ativar um ataque a este órgão ou desencadear uma sensação de fuga à rotina evitando comportamentos, ou uma turbulência interna.(...) (uma boa razão para repensar se será boa ideia ir rever aquelas fotos do/a abusador/a nas redes sociais).


Mesmo depois da relação tóxica ter acabado, vítimas sofrem de TSPT, TSPT-C, ataques de pânico, fobias, etc... graças aos gatilhos das suas emoções primitivas causadas pela amígdala hiperativa. Com esta condição, alvos de abuso narcisista geralmente dedicam-se a mecanismos de defesas primitivas incluindo (mas não limitado a):


  • Negação:

Vítimas usam a negação para escapar de sentimentos dolorosos ou áreas da sua vida que não querem admitir.


  • Compartimentação:

Vítimas misturam os aspectos abusivos da relação para assim, se focarem nos aspectos positivos.


  • Projeção:

Vítimas projetam os seus traços de compaixão, empatia, preocupação e entendimento no/a abusador, quando, na verdade, narcisistas e outros abusadores emocionais não possuem nenhum desses traços.


Abuso Narcisista altera o seu cérebro

Citando Goleman (2006), "tudo o que aprendemos, tudo o que lemos, tudo o que entendemos e tudo o que experimentamos conta para o bom funcionamento do hipocampo. A retenção continuada de memórias exige uma actividade neurológica de maior escala.

Na verdade, a produção de novos neurónios no cérebro e sua conexão a outros, acontece no hipocampo.(Goleman, 2006, pág. 273). Goleman também declarou, "O hipocampo é especialmente vulnerável à angústia emocional contínua, por causa dos efeitos destructivos do cortisol." (...) "Quando o corpo aguenta stress prolongado, o cortisol afecta a velocidade a que os neurónios são, ou adicionados, ou subtraídos do hipocampo.

Isto pode ter graves resultados na aprendizagem. Quando os neurónios são atacados pelo cortisol, o hipocampo perde neurónios e é reduzido em tamanho. Na verdade, a duração do stress é tão destrutivo como stress extremo. Goleman explica: " O cortisol estimula a amígdala enquanto separa o hipocampo, forçando a nossa atenção nas emoções que sentimos, enquanto nos priva da nossa capacidade de reter nova informação." (pág. 273-274)


Goleman acrescenta:

"A estrada neural para a disforia (mau estar) passa da amígdala para o lado direito do córtex pré frontal. Assim que este circuito se activa, os nossos pensamentos fixam no que despoletou a angústia. E ao ficarmos preocupados/as, tipo, com preocupação ou ressentimento, a nossa agilidade mental é esquecida.

Da mesma forma, quando estamos tristes os níveis de atividade no córtex pré frontal baixam e geramos poucos pensamentos. Extremos de ansiedade e raiva por um lado e tristeza por outro, força a atividade do cérebro muito além da sua zona de eficácia. (pág.268)

Mas, há esperança. Há atividades reparadoras que podes ter para restaurar e reconstruir o teu hipocampo e parar o sequestro da amígdala ao teu cérebro.


  • O que fazer:

Felizmente, como tomografias do cérebro mostram (graças à magia da neuroplasticidade), é possível o hipocampo crescer novamente. Um método efetivo inclui o uso de terapia DRMO (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares). Um estudo recente mostrou que 8 a 12 sessões de DRMO a pacientes com TSPT revelou uma média de aumento de 6% de volume do seu hipocampo.

O DRMO é também benéfico para contrariar a hiperestimulação da amígdala permitindo que o cérebro direcione mais apropriadamente o que precisa acontecer em vez de continuar preso em emoções de gatilhos problemáticos.


Outros métodos que mostraram reparar tanto o hipocampo como a amígdala incluem:


  • Meditação guiada:

Estudos recentes vindos da Universidade de Harvard mostram que meditação diária pode ajudar a reparar o cérebro, reconstruindo literalmente a massa cinzenta do cérebro. Participantes no estudo que passaram uma média de 27 minutos por dia praticando exercícios de "mindfulness" mostraram uma maior densidade do hipocampo e amígdala e redução de stress associado, comparado com outro grupo distinto.

Aromaterapia e óleos essenciais: Artigo: AROMATERAPIA E MEDITAÇÃO;PASSOS ESSENCIAIS NA RECUPERAÇÃO DO ABUSO NARCISISTA


  • - Agir com atos de bondade:

Altruísmo simples, prático pode alterar dramaticamente a tua visão do mundo.

  • - TLE (Técnica de Liberdade Emocional):

ajuda a corrigir o curto circuito bioquímico que ocorre com a ansiedade crónica.(falaremos sobre esta técnica em outra publicação)

Claro, a primeira coisa a fazer seria planear e implementar uma estratégia de afastamento. Leva tempo a recuperar de abuso narcisista e um pequeno encontro pode fazer-te voltar atrás muito rapidamente.



Tradução livre: Silva Sara - contribuindo para a página Não Mais Vítima

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