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  • Foto do escritorPsicólogo Flávio Torrecillas

O Narcisista da História Sou Eu?

Narcisistas não cogitam a ideia de que possuem algum transtorno de personalidade. Eles não se sentem mal pelas coisas que fazem, ele não se culpabilizam, eles não se responsabilizam.


Os narcisistas fazem questão de atribuir toda a culpa à vítima. A vítima se colocou numa posição onde ela foi obrigada a fazer determinadas coisas e se ela está chorando é porque, para o narcisista, ela é fraca e, se aconteceu alguma, foi "porque a vítima levou a determinada situação". É assim que os narcisistas enxergam o mundo.


Alguns níveis de narcisismo conseguem perceber que eles fizeram algo mas, ainda assim, eles não entram em contato com a culpa. O contato com a culpa não existe. Eles não se sentem responsáveis. Não é só uma questão de não se responsabilizar socialmente, é internamente. E para o narcisista, internamente, ele não fez nada! Mesmo quando o narcisista sabe que provocou algo, ele não entra em contato com o remorso, com a sensação desagradável de que fez algo.


E quando alguém de fora aponta para o narcisista dizendo:

"Você é isso",

"você é aquilo",

"você é narcisista",

"você age assim",

"você age assado",


Para eles, não faz sentido porque eles sabem quem eles são mas, eles sabem como eles se comportam. O comportamento do narcisista (para ele) não é algo que incomoda, não é um ponto discutível, não é uma questão a ser abordada. Ele sabe que manipula, ele sabe que mente, ele sabe que engana as pessoas mas, para ele, isso não é algo para ser questionado. Para a vítima é muito complexo de entender como funciona essa dinâmica. O narcisista sabe quem ele é, ele sabe o que ele faz, ele sabe o que ele causa.


Quando uma vítima faz esse tipo de questionamento:


"Será que eu sou narcisista"?


Provavelmente isso foi plantado na cabeça dela, provavelmente o próprio abusador acusou ela disso, provavelmente ele colocou na cabeça da vítima que ela está sendo abusiva (que ela está tendo posturas narcísicas), que "ele não aguenta mais" e a vítima começa a se sentir muito mal e passa a pesquisar à respeito do transtorno.

Muitas vezes o próprio abusador manda links de canais, manda conteúdos e a vítima acaba "se encaixando" porque alguns comportamentos dela acabam sendo exatamente iguais ao do abusador. A vítima, de tanto aguentar aquele comportamento dentro do ciclo e, muitas vezes, até como um movimento de sobrevivência, começa a absorver alguns comportamentos mas ela entra em contato com o remorso, entra em contato com a culpa, entra em contato com o arrependimento então ela não "se torna narcisista", ou seja, ela "não é narcisista" mas ela acaba tendo comportamentos que são muito parecidos com o de um narcisista e que podem causar danos.


Então, quando uma pessoa faz esse questionamento, de cara, já podemos descartar essa possibilidade. Um narcisista não se questiona sobre o que ele é. Para ele, o que é estranho é as pessoas associarem o que ele é a algo ruim, a uma coisa ruim. Isso para o narcisista não faz sentindo. Quando uma pessoa se questiona "será que eu sou" e associa isso a uma coisa ruim, de cara podemos falar NÃO, senão você não estaria se sentindo mal. Existem algumas características importantes de observarmos, que integram o cotidiano de um narcisista (esse é um ótimo parâmetro de auto avaliação):


  • Precisam chamar a atenção sobre si, mostrando-se “especiais” e diferenciados;

  • Sentimentos extremos de ciúmes: odeiam não serem os melhores;

  • Expectativa de tratamento especial: sempre acham merecer o melhor tratamento;

  • Exageram nas conquistas, no talento e na importância: querem mostrar-se sempre superiores;

  • Sensibilidade extrema para se sentirem atingidos e extrapolar nas reações;

  • Dificuldade de manter relacionamentos saudáveis e confirmar a “persona” que precisam sempre exibir;

  • Seu foco está na aparência, no sucesso, no poder e na inteligência. Pensam neles em 100% do tempo;

  • Talento em usar os outros para atingir seus objetivos sem preocupação com o meio empregado;

  • Ausência de empatia com os sentimentos alheios e visível subestima do que os outros sentem;

  • Crença de que apenas alguns privilegiados e superdotados podem entender seu “jeito único de ser”;

  • Tendência a se virem “perfeitos” e objeto do desejo de homens e mulheres, sem distinção;

  • Respondem a qualquer crítica com raiva, humilhação, vergonha e sentimento de vingança;

  • Buscam a admiração e a avaliação positiva dos outros, em toda e qualquer atitude que tomem;

  • Esperam que todos concordem com tudo o que fazem, falam ou querem, ou então o burro é você;

  • Todas as escolhas deles são o que há de melhor, seja em pessoas, coisas ou atitudes pessoais;

  • Em toda situação de confronto precisam sair vencedores. Se você ganhou a primeira batalha, prepare-se porque “o troco“ virá em seguida, eles não irão desistir;

  • Veem na ostentação um símbolo de poder. Motoristas e secretárias “portáteis” poderão ser exibidos por onde possam ser mostrados;

  • Vêm com desprezo as regras impostas a cidadãos comuns. Assim, placas oficiais e identificações de “trânsito livre” para que ocupem vagas especiais são frequentes, até o ponto de forjá-las por meios ilícitos;

  • Eles se apossarão de qualquer bem público sem pudor algum, incorporando-os como propriedades privadas;

  • Odeiam senhas, filas e salas de espera. Sempre ignoram prioridades alheias para tomar a frente;

A prática da “carteirada” infesta seu cotidiano, e para isso exibem credenciais falsas ou não (mas fazem questão de exibir), imprimem cartões de visita pomposos e os distribuem fartamente como recurso de sedução. Uma vítima de um abuso narcisista não vai se tornar um narcisista. Ela pode começar a ter posturas abusivas que precisam ser observadas para que isso não seja levado para um futuro relacionamento.

Por fim, procure uma terapia psicodinâmica.


Assim você poderá, pelo menos, se entender melhor e nomear as emoções e os sentimentos que você não entende, principalmente após sair do ciclo de abuso.

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